Antígona

encenaçãoMónica Garnel
textoSófocles
18 set - 6 out 2019
qua e sáb, 19h > qui e sex, 21h > dom, 16h
Sala Garrett
encenação Mónica Garnel
texto Sófocles
com André Simões, Carolina Passos-Sousa, Diana Lara, Isaías Viveiros, João Grosso, Joana Pialgata, Laura Aguilar, Lúcia Maria, Manuel Coelho, Mauro X, Paula Mora, Pedro Moldão e Pedro Russo
tradução Marta Várzeas
música original Vitória
cenografia e figurinos Marta Carreiras
desenho de luz Rui Monteiro
sonoplastia e desenho de som João Diogo Pratas
apoio à dramaturgia Mónica Calle
consultoria artística e assistência de encenação Inês Vaz
assistente de cenografia, adereços e figurinos Mafalda Rodrigues
vídeo João Gambino
produção TNDM II

M/12

duração 1h30 (aprox.)

Espetáculo integrado no Plano de Assinaturas do D. Maria II.
Saiba mais aqui.



Quando me sentei no antigo lugar onde se observa o voo dos pássaros, ouvi um ruído de aves desconhecidos; gritavam com fúria agoirenta e sons bárbaros. Percebi que se dilaceravam e matavam umas ás outras com as garras; o barulho que faziam com as asas não era sem sentido. 
A cidade está doente.

Estes pássaros que sobrevoam a cidade são os catalisadores do universo a explorar, pelo seu lado simbólico, não só de antevisão trágica mas também na relação com o lado mais instintivo do homem, aquele que é indomável e que muitas vezes se sobrepõe à razão.
 
Este é o ponto de partida para a criação de Antígona, de Sófocles. E, partindo de uma cidade que vai adoecendo propõe-se criar um espetáculo que procura a vertigem, à medida que o conflito entre a lei da determinada por Creonte se opõe ao descontentamento e desrespeito pelos direitos humanos e familiares de Antígona. Creonte impõe tiranicamente a sua vontade, confirmando a imutabilidade do destino trágico que marca os Labdácidas. Antígona ousa, quase revolucionariamente, opor-se-lhe. Pode o humano mudar o destino? Devem os direitos humanos sobrelevar os direitos do poder instituído? O que é afinal a justiça? 
Pergunta-se ainda: Como abordar um texto clássico e paradigmático da história do Teatro, já tantas vezes feito e refeito? Interessa-me antes de mais tratá-lo na sua atualidade, por um lado e na sua humanidade, por outro. Vejo aqui, nesta possibilidade de interrogar o carácter humano, a âncora e âmago de deste espetáculo, suportado no trabalho dos atores, aos quais se coloca o desafio de retratarem e atualizaram estas personagens arquetípicas, explorando as suas contradições, dúvidas e ímpetos, num conflito que nos atira para uma escuridão que, por fim, nos poderá, talvez, iluminar.