Pílades

dePier Paolo Pasolini
encenaçãoLuis Miguel Cintra
16 out - 9 nov 2014
4.ª 19h
5.ª a sáb. 20h
dom. 16h
Sala Garrett
de Pier Paolo Pasolini
tradução Mário Feliciano, Luiza Neto Jorge
encenação Luis Miguel Cintra
cenografia e figurinos Cristina Reis
desenho de luz Luis Miguel Cintra, Cristina Reis, Rui Seabra
com Ana Amaral, Bernardo Nabais, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Guilherme Gomes, Isac Graça, José Manuel Mendes, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Rita Cabaço, Rita Durão, Sérgio Coragem, Sílvio Vieira, Sofia Marques, Vânia Ribeiro
coprodução TNDM II, TNSJ, Teatro da Cornucópia
M/12
Pílades, de Pasolini, é uma das tragédias escritas pelo cineasta, poeta, dramaturgo, intelectual italiano assassinado por um jovem num bairro da lata dos arredores de Roma em 1975. Pasolini, cuja postura política exemplar, solitária, radical, ainda hoje está sempre presente na memória da vida política italiana, quis com estas suas peças, refletir sobre a perda do teatro como ponto de encontro dos cidadãos na sua vida pública, romper com o teatro burguês reacionário do seu tempo e procurar o modo como o teatro poderia voltar a ter e para quem, uma função de reflexão política que o teatro da antiguidade tinha. Faz acompanhar a escrita destas peças com um Manifesto para um novo teatro em que defende um teatro da palavra para as elites esclarecidas e já não um teatro popular no sentido em que Brecht o entendia. É uma proposta de regresso a um teatro reflexivo, poético, extremamente importante no Teatro do século XX. É um pouco para que também em Portugal se esteja preparado para prosseguir com um trabalho da mesma natureza que a Cornucópia se decidiu a levar à cena este texto. E para refletir sobre a natureza do atual sistema envelhecido de poder político. Pílades é uma espécie de epílogo da Oresteia de Ésquilo, com a tomada do poder por Orestes. Conta a divergência de Pílades, o amigo íntimo de Orestes, com o novo sistema político que apaga a memória civilizacional para instaurar a democracia: a justiça feita pelos próprios homens e não já pelos deuses. É o momento da passagem das Eríneas a Euménides. Pasolini parece profeta. Na atual sociedade a ideologia é anulada pelo sistema político. E abre-se uma crise profunda sobre a qual teremos de pensar. Sobretudo os mais novos. A Cornucópia vai juntar num mesmo elenco um grupo de jovens recém saídos da Escola de Teatro, ou seja de jovens profissionais, com outra geração que já cresceu na companhia, gente do pós-25 de Abril, com alguns dos seus membros mais antigos e fazer o público partilhar desta sua reflexão.

NOTA: Este espetáculo estreia no Teatro Nacional São João a 18 de setembro de 2014.