Primeira Imagem - Espetáculo final da ESTC

conceção e encenaçãoJohn Romão
integrado noFestival de Almada
12 - 16 jul 2017
qua, 19h30 > qui-sáb 21h30 > dom, 16h30
Sala Estúdio
conceção e encenação John Romão 
interpretação, design de cena e produção alunos finalistas do 3º ano dos ramos Atores, Design de Cena e Produção
coordenação de cenografia e figurinos José Espada
coordenação de produção e direção de cena Conceição Mendes, Miguel Cruz
coordenação de iluminação Miguel Cruz
preparação vocal Maria Repas
corpo Jean Paul Bucchieri
gabinete de produção ESTC Conceição Costa, Rute Reis
M/14

Recorrendo a eventos encenados cujo propósito era serem documentados através da câmara de vídeo (Pryings [1971], Theme Song [1971], Remote Control [1971] e Undertone [1973] de Vito Acconci ou Clown Torture [1987] de Bruce Nauman) - documentação que substitui a realidade que ela própria documenta - ou partindo da documentação de performances que aconteceram com a presença de público e que foram registadas também pela câmara de vídeo (Seedbed [1972] ou Claim Excertps [1971] de Vito Acconci), algumas destas obras de Vito Acconci (1940-2017) e de Bruce Nauman (1941-) são em "Primeira Imagem" matéria não de uma reconstituição histórica senão de uma recontextualização contemporânea. Elas são re-encenadas em palco e intencionalmente deturpadas através de uma direção teatral com jovens actores, finalistas de uma licenciatura em teatro, que agora se apresentam ao público profissionalmente. À semelhança do que Acconci e Nauman fizeram (num prenúncio do que, 40 anos mais tarde, iria confluir nas selfies e na exposição do corpo nas redes sociais) dirigindo-se à câmara de vídeo, muitas vezes utilizada como um agente de endereçamento íntimo, os jovens atores utilizam os mesmos textos e ações para se dirigirem agora ao público, no teatro. Reclamam uma atenção sobre os seus corpos que mergulham no mercado da arte, uma intimidade que tanto tem de sedutora como de pura fantasia, com o intuito de obter aprovação, credibilidade ou repulsa.

Nesta relação mista de independência e co-dependência entre os artistas/actores e os espectadores, em "Primeira Imagem" são reativadas formas, habitando-as num contexto de estúdio de criação, o do próprio palco, em que os corpos se tornam um campo de experimentação de práticas estranhas (uncanny).

Próximo de um transe, entre as regiões subterrâneas da mente e a própria vontade dos artistas/atores, em "Primeira Imagem" vemos o esforço que estes fazem para se convencerem e controlarem a si mesmos e ao público.