2023 - 2025: Odisseia no País

Com as portas do Rossio prestes a reabrir, revisitamos a atividade do D. Maria II entre 2023 e 2025. Um período marcante em que o Teatro reforçou a sua vocação nacional e se abriu plenamente ao país.

Em janeiro de 2023, com o encerramento do seu edifício para obras de requalificação, o D. Maria II iniciou a Odisseia Nacional. Com este projeto, o Teatro esteve presente em todo o território, numa parceria com 93 concelhos e dezenas de entidades ligadas à cultura e à educação. Interveio em regiões com forte dinâmica criativa, mas foi também catalisador da vida cultural em comunidades onde há menos acesso às práticas artísticas, com particular foco no interior do país. Durante cerca de um ano e meio, a Odisseia Nacional promoveu centenas de atividades, entre espetáculos (Peças), projetos de participação (ATOS), atividades para todos os níveis de ensino (Frutos), ações de formação para profissionais da cultura e artistas (Nexos), eventos de pensamento (Cenários) e ainda uma exposição.

O Teatro procurou, assim, assumir o seu desígnio nacional não apenas no plano simbólico, mas também geográfico e social, envolvendo públicos e comunidades de forma alargada, e contribuindo para a democracia cultural e para a coesão territorial através da cultura.

A Odisseia Nacional iniciou-se na região Norte, no primeiro trimestre de 2023. Seguiram-se o Centro, de abril a junho, os Açores, em julho, a Madeira, em setembro, e as regiões do Alentejo e Algarve, de outubro a dezembro.

Foi muito interessante preparar os atores para esta Odisseia, que teve lugar em diversos teatros, com diferentes dimensões e relações com o público. Obrigou-nos a uma adaptação e ajuste em todas as áreas: cenografia, desenho de luz e à própria palavra. Esse é um grande desafio.
Mónica Garnel, encenadora

© Mário Pereira, TNDM II / © André Mendonça


Ficámos muito contentes por virem à Ribeira Grande e saírem do vosso espaço habitual.
Para nós foi "Uau! Eles vêm aos Açores”
Sónia Moniz, Câmara Municipal da Ribeira Grande

Sentimo-nos muito escutados e ganhámos um pouco de perspetiva.
Foi muito excitante a possibilidade de ter contacto com pessoas de fora.
Thomaz Moreira, participante do programa ATOS

O programa Peças, composto por espetáculos, projetos de criação e lançamentos de livros, integrou produções próprias e coproduções com estruturas e artistas de diferentes perfis, sediados em diversos pontos do país. Através deste programa, foi dada nova expressão a vários projetos de continuidade do D. Maria II, como a Rede Eunice Ageas, o Próxima Cena e o PANOS.

Criado em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, o programa ATOS, composto por 43 projetos de arte participativa, desenvolvidos por 16 estruturas artísticas, valorizou o tecido cultural nacional e promoveu práticas artísticas e cívicas junto de comunidades de todas as regiões do país. Com o programa Frutos, realizado em parceria com o Plano Nacional das Artes, o D. Maria II reforçou a sua relação com o universo escolar, viabilizando uma ampla programação dirigida a todos os níveis de ensino, entre espetáculos, visitas guiadas, oficinas de teatro e laboratórios teatrais.

Em Guimarães, Torres Vedras e Loulé, o programa Cenários promoveu uma reflexão sobre o percurso da Odisseia Nacional, traçando uma leitura sobre a realidade cultural do país a partir das especificidades dos diferentes territórios. O programa Nexos, desenvolvido em parceria com a Direção-Geral das Artes, colocou as competências técnicas e de gestão do D. Maria II ao serviço de outros teatros e equipamentos parceiros. O programa incluiu ainda formações para artistas com e sem necessidades específicas e para educadores de infância.

A exposição "Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país", propôs um olhar a quase um século da história do país e do teatro, a partir de objetos e documentos diversos. Percorreu oito concelhos do país e integrou diversas atividades complementares, como visitas guiadas, debates e oficinas.

Ao longo do ano de 2023, o Teatro Nacional D. Maria II viabilizou centenas de sessões, envolvendo mais de 60 mil pessoas de todas as regiões do país, alargando e diversificando as suas possibilidades de participação cultural. A Odisseia Nacional permitiu ainda um confronto com barreiras de acesso cultural, assegurando recursos de acessibilidade em diferentes sessões, e promovendo a inclusão de pessoas com necessidades específicas.


© João Versos Roldão, TNDM II / © Filipe Ferreira, TNDM II

Nunca tínhamos assistido a um espetáculo com audiodescrição.
Foi muito enriquecedor, porque temos outra perspetiva do espetáculo.
A folha de sala em braille estava excelente. Cheguei a casa e estive a ler.
Patrícia Alves, espectadora


As apresentações em âmbito escolar são importantes para os miúdos.
Estão num espaço que conhecem, onde as angústias e, às vezes, o medo, são mais fáceis de gerir.
É uma atividade em que aprendem, por exemplo, que uma história pode ganhar vida.
Fernanda Paulino, educadora de infância

Em 2024, o D. Maria II deu continuidade à Odisseia Nacional, consolidando a digressão de espetáculos e alargando o raio de ação de vários projetos. O Boca Aberta estendeu-se a novas regiões do país, e o programa ATOS consolidou-se em diversos concelhos, proporcionando espaços de encontro e reflexão sobre as práticas artísticas participativas. A exposição Quem és tu? – Um teatro nacional a olhar para o país continuou a sua digressão pelo país, estabelecendo-se durante sete meses no Museu Nacional do Teatro e da Dança.

No mesmo ano, o Teatro regressou a Lisboa, com o ciclo de programação Abril Abriu, dedicado aos 50 anos do 25 de Abril. Entre março e julho, o D. Maria II apresentou projetos artísticos em instituições culturais e em espaços não convencionais da capital, numa programação diversa e multidisciplinar, inspirada nas conquistas de Abril. O Ciclo sublinhou o legado histórico, cultural, político e social da Revolução e assumiu o desafio de aproximar as gerações mais jovens dos ideais «que Abril abriu». Foram apresentadas 17 criações, oito delas em estreia absoluta, e quatro reposições de espetáculos estreados no ano anterior, no âmbito da Odisseia Nacional.

Durante este ano, o Teatro Nacional D. Maria II envolveu cerca de 70 mil pessoas em mais de 1.300 sessões, promovendo projetos formativos e colaborativos que valorizaram a relação com crianças, jovens e comunidades artísticas e educativas, reforçando o papel do Teatro como espaço de encontro e reflexão.

© João Versos Roldão, TNDM II / © Filipe Ferreira, TNDM II

Em 2025, o Teatro Nacional D. Maria II manteve a sua programação cultural em todo o país, em parceria com mais de 30 teatros e municípios, reafirmando a sua missão "nacional”.

Este foi também o ano do regresso definitivo a Lisboa. Na nova Sala Estúdio Valentim de Barros, localizada nos Jardins do Bombarda, e inaugurada a 27 de março de 2025 pela LARGO Residências, apresenta mais de uma dezena de espetáculos até ao final do ano, seis deles em estreia. O recentemente reabilitado Teatro Variedades, no Parque Mayer, é também palco de seis espetáculos do D. Maria II, três deles em estreia. A estes dois espaços culturais, juntam-se ainda o Coliseu dos Recreios, o Mosteiro dos Jerónimos e o CAM – Centro de Arte Moderna Gulbenkian.

Numa programação em rede, as parcerias com municípios, espaços culturais, associações e coletividades, dentro e fora da região e Lisboa, continuam a expandir-se, fortalecendo a presença do Teatro em todo o território e abrindo caminho a novos públicos.

Entre 2023 e 2025, o Teatro Nacional D. Maria II percorreu o país como nunca antes, desenhando um ciclo de programação profundamente descentralizado, participado e transformador. Com centenas de parceiros e milhares de pessoas envolvidas, construiu-se um caminho de proximidade, experimentação e escuta, que alargou os horizontes do Teatro e o inscreveu no território de forma duradoura. A reabertura da sua casa no Rossio acontece, assim, não como um regresso ao ponto de partida, mas como um novo começo, alimentado pelos encontros, aprendizagens e desafios deste ciclo de três anos em movimento, e garantindo a continuidade de uma presença efetiva em todo o país.

É magnífico poder sair de Lisboa.
Muitos jovens dizem-nos "foi diferente das peças que costumo ver, mas gostei muito.
É um privilégio poder diversificar a noção do que é teatro e das formas de o fazer.
Alice Azevedo, encenadora

© Filipe Ferreira, TNDM II
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