O espanto de existir e crescer: 10anos de Boca Aberta
Conteúdos da área principal da página "O espanto de existir e crescer: 10anos de Boca Aberta"
O projeto de teatro para a infância do D. Maria II faz 10 anos. Uma década de muitos espetáculos e milhares de pequenos espectadores, muita imaginação e crescimento saudável (e hiperativo).
O nascimento
Em 2015, nasceu no D. Maria II um projeto de teatro para os mais pequeninos. Com o intuito de estimular a imaginação de crianças na primeira infância, na faixa etária dos 3 aos 6 anos, o Boca Aberta acontecia no Salão Nobre do Teatro e em vários jardins de infância de Lisboa, com a parceria da Câmara Municipal da Lisboa. E foram muitos os jardins de infância abrangidos ao longo dos anos, incluindo todos os da rede pública da cidade e uma boa parte dos geridos pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, também parceira do projeto nos primeiros anos.
Tanto no teatro como nas escolas, o Boca Aberta sempre pautou por deixar os seus espectadores confortáveis, num ambiente seguro e acolhedor, para descobrirem o mundo a partir do teatro e da palavra.
A componente de formação esteve também presente desde o início do projeto. Desde 2016 que o Boca Aberta tem vindo a promover uma oferta formativa dirigida a educadores de infância e auxiliares de ação educativa que trabalham com estas faixas etárias, com o objetivo de desenvolver técnicas relacionadas com a expressão dramática.

As crianças estão numa fase em que se estão a definir. Quanto mais se levantarem questões mais rico pode ser o universo delas.
- Catarina Requeijo, encenadora

Uma dramaturgia para a infância
A importância da palavra e do texto sempre estiveram no centro do projeto.
Selecionados e trabalhados por Inês Fonseca Santos e Maria João Cruz, e depois encenados por Catarina Requeijo, os textos do Boca Aberta já versaram, entre muitos outros tópicos, sobre o sentido da vida, o amor, a morte, a coragem, a diferença, a guerra, a comunicação ou a inclusão. Em linguagem acessível, mas ao mesmo tempo rica e complexa, recorrendo do jogo e do desafio, os espetáculos do Boca Aberta procuraram despertar a curiosidade dos mais pequenos e ajudá-los a questionar.
Ao longo desta década, o projeto criou um repertório de 16 textos, que constitui um acrescento relevante à dramaturgia portuguesa para a infância.
Sinto-me bem no Teatro. É grande, mas eu sinto-me bem. É tudo a fingir, eu consigo perceber que isto é tudo a fingir.
- Beatriz, espectadora, 8 anos


Um salto no crescimento
Em 2023, com o encerramento do edifício do Rossio para obras de renovação e à semelhança do que aconteceu com toda a programação do D. Maria II, também o Boca Aberta empreendeu uma viagem pelo território.
Uma aventura que proporcionou um salto no crescimento. O espetáculo Falas Estranhês? foi apresentado em oito municípios. Um ensaio que permitiu experimentar novos modelos para a realização do projeto, que passou também a contar com a parceria da Fundação ”la Caixa” e do BPI.
Durante esse ano, tornou-se evidente a necessidade de crescimento e a importância de construir relações mais profundas com e no território, bem como com todos os intervenientes que permitem o acesso das crianças à cultura: as equipas artísticas, as instituições culturais, as autarquias, as escolas, os profissionais de educação, as famílias.
Em 2024, o projeto inicia uma nova fase, de três anos, com a criação de uma parceria com três municípios – Lagos, Ourém e Ponte de Lima. Outras atividades, como encontros e conversas, são integradas na programação. A formação, que já integrava o projeto, encontra um novo fôlego, chegando a mais profissionais da educação e a artistas interessados em criar para a infância em todo o território.
Ao longo de dez anos, o Boca Aberta cresceu de um projeto de leituras encenadas de textos para infância para uma estrutura sólida e articulada de criação para este público, com um impacto concreto em diversas comunidades e contribuindo de forma significativa para o tecido cultural do país.
Um aspeto muito importante que caracteriza este projeto é o facto de não trabalhar exclusivamente com as crianças,
mas também com toda a comunidade, escolar e não escolar. Na verdade, todos juntos formam uma rede muito importante
no desenvolvimento destas crianças e dos seus territórios.
mas também com toda a comunidade, escolar e não escolar. Na verdade, todos juntos formam uma rede muito importante
no desenvolvimento destas crianças e dos seus territórios.
- Bruno Coutinho, Fundação ”la Caixa” / BPI

Uma iniciativa do Teatro Nacional D. Maria II e da Fundação "la Caixa", em colaboração com o Banco BPI, e em parceria com o Plano Nacional das Artes e os Municípios de Lagos, Ourém e Ponte de Lima.