O público no Centro — Conclusões do microestudo de públicos do D. Maria II

O Público no Centro — Podemos conhecer-nos melhor? 

Conclusões do microestudo de públicos do D. Maria II 


Numa altura em que prepara o regresso ao edifício do Rossio, o Teatro Nacional D. Maria II lançou um microestudo de públicos com o mote "Podemos conhecer-nos melhor?”. Este estudo, conduzido pela área de avaliação e monitorização do D. Maria II, faz parte de um conjunto de estratégias do Teatro que pretendem colocar o público, as suas ideias e preferências no centro da reflexão e da tomada de decisão, com o objetivo de melhor responder às necessidades dos espectadores, traçar estratégias que ajudem a encontrar novos públicos e a ir ao encontro das suas expectativas.

Um total de 1.662 pessoas responderam ao inquérito (62% online e 38% presencialmente), entre 30 de abril e 13 de julho de 2025, numa amostra constituída, sobretudo, por espectadores do D. Maria II (84% das pessoas inquiridas já tinham assistido a espetáculos do D. Maria II antes deste estudo), maioritariamente mulheres (67%), com idades compreendidas entre os 40 e os 69 anos (60%), de nacionalidade portuguesa (96%), residentes em Lisboa (52%), que possuem um diploma de ensino superior (85%) e que trabalham fora do setor cultural (69%). 

Em média, as pessoas inquiridas vão ao teatro 5 vezes por ano, uma frequência superior à revelada noutros estudos no contexto português. Apenas 7% das pessoas inquiridas foram ao teatro 1 vez nos últimos 12 meses e 4% nenhuma vez. De notar algumas variáveis: as pessoas com necessidades específicas apresentam hábitos culturais mais ténues (16% não foram ao teatro no último ano), enquanto os profissionais da cultura são, tendencialmente, espectadores mais frequentes, assistindo a espetáculos mais de 9 vezes por ano. 

Apesar da maioria da amostra revelar ter alguma proximidade com a programação do D. Maria II, por já ter assistido a espetáculos deste Teatro anteriormente, 14% das pessoas afirmaram que assistiram pela primeira vez a um espetáculo do D. Maria II. São, tendencialmente, pessoas mais jovens (53% até aos 19 anos e 30% entre os 20 e 29 anos) e, em comparação com a totalidade da amostra, uma maior percentagem destas reside na Área Metropolitana de Lisboa, são estrangeiros e têm necessidades específicas. 

O estudo realizado demonstrou ainda que as fontes mais utilizadas para obter informação sobre os espetáculos de teatro são, em geral, as redes sociais (23%), seguindo-se a comunicação social (19%), as pessoas amigas/familiares/colegas (18%) e o e-mail e newsletters (18%). Contudo, fazendo um cruzamento entre as fontes de informação privilegiadas e outras variáveis, conclui-se que as pessoas amigas/familiares/colegas são uma fonte mais relevante para as pessoas mais jovens (até 29 anos), com menos escolaridade (ensino básico), de nacionalidade estrangeira ou com menos práticas culturais (que indicam "nunca” ir ao teatro), bem como para quem assistiu a um espetáculo do D. Maria II pela primeira vez. 

Segundo a amostra deste estudo, os dias preferenciais para assistir a espetáculos são os sábados (27% das pessoas inquiridas) e as sextas-feiras (24%), que tendencialmente permitem mais tempo e espaço para convívio e socialização. São os profissionais da cultura, as pessoas que residem em Lisboa, as pessoas que costumam ir sozinhas ao teatro ou aquelas com mais práticas culturais, as mais flexíveis no que respeita aos dias da semana preferenciais para assistir a espetáculos de teatro. 

© Filipe Ferreira, TNDM II / © José Frade


O preço do bilhete é o motivo que encabeça a lista  de obstáculos à ida ao teatro (30% das respostas), seguindo-se a falta de tempo (29%) e a falta de informação sobre os espetáculos (21%). Outros obstáculos revelam ter uma importância muito inferior, quando analisamos a totalidade da amostra: falta de transporte (8%), falta de interesse (4%) e falta de acessibilidade física dos espaços (1%). Estes fatores mostram que a relação com o teatro é um processo de confluência entre fatores externos e internos que podem ser agrupados pelas suas influências mútuas: fatores externos estruturais (falta de acessibilidade e falta de meios de transporte) ou contextuais (preço e informação sobre os espetáculos), mas também fatores individuais (falta de interesse e falta de tempo). Segundo os dados recolhidos neste estudo, o preço do bilhete revela-se um obstáculo maior para pessoas transgénero e não-binárias (40%), para jovens no início das suas vidas profissionais, entre os 20 e os 29 anos (32%), mas também para trabalhadores do setor cultural (29%) e residentes na AML (28%). 

Para a amostra deste estudo, o preço mais adequado para um bilhete de teatro situa-se, maioritariamente, entre os 10€ e os 14€ (49% das pessoas inquiridas selecionaram esta opção). Contudo, este valor cai para "menos de 9€” quando as pessoas inquiridas têm diploma de ensino básico, têm necessidades específicas ou, em conformidade com o resultado anterior, são pessoas transgénero e não-binárias ou profissionais da cultura. No sentido inverso, as pessoas com mais de 60 anos têm tendência para considerar valores mais elevados ("mais de 20€”).

O microestudo "Podemos conhecer-nos melhor?” decorreu entre 30 de abril e 13 de julho de 2025, online e presencialmente, através da aplicação direta em 7 dos espetáculos da programação do D. Maria II, que tiveram lugar no Teatro Variedades (Homens Hediondos, A Sagração da Primavera, As mulheres que celebram as Tesmofórias e Reparations Baby!) e na Sala Estúdio Valentim de Barros / Jardins do Bombarda (As Castro, King Size e Corre, bebé!).




Passatempo — O Público no Centro
No âmbito do passatempo associado ao Estudo de Públicos do D. Maria II, foram sorteadas três assinaturas para a Temporada de 2026 do D. Maria II. Saiba mais, aqui


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