Foco: Lígia Soares
Foco: Lígia Soares
20 - 29 jan 2027 |
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Há artistas cujo trabalho parece nascer da suspeita permanente de que o palco ainda pode ser outra coisa. Ao longo de mais de duas décadas, Lígia Soares tem vindo a construir um percurso singular no contexto das artes performativas portuguesas, atravessando dança, teatro, performance e escrita, recusando fronteiras disciplinares estáveis e interrogando continuamente a relação entre dispositivo cénico, espectador e representação.
Este foco propõe um olhar alargado sobre uma obra marcada pela inquietação formal, pela inteligência dramatúrgica e por uma permanente deslocação do lugar do público. Nos seus trabalhos, o teatro surge
Este foco propõe um olhar alargado sobre uma obra marcada pela inquietação formal, pela inteligência dramatúrgica e por uma permanente deslocação do lugar do público. Nos seus trabalhos, o teatro surge
frequentemente como um espaço em crise e, justamente por isso, como um espaço de possibilidade: um lugar onde se expõem mecanismos de ficção, onde a expectativa se torna matéria cénica e onde o espectador deixa de ser apenas observador para passar a integrar a própria construção dramatúrgica do acontecimento.
Entre a ironia e a melancolia, entre o pensamento conceptual e a vulnerabilidade da presença, a obra de Lígia Soares tem desenvolvido formas muito próprias de relação com o tempo contemporâneo. As suas criações convocam frequentemente mundos em desagregação, sistemas em colapso, comunidades frágeis ou imaginadas, mas fazem-no sem abdicar do humor, do artifício e da capacidade profundamente humana de inventar sentidos provisórios para aquilo que parece escapar à ordem.
Ao reunir diferentes momentos do seu percurso, este ciclo procura não apenas revisitar uma obra fundamental da criação contemporânea portuguesa, mas também acompanhar uma artista que tem feito do questionamento uma prática estética e política. Mais do que apresentar espetáculos, este foco convida o público a entrar num pensamento em movimento: um território onde o teatro é simultaneamente máquina de ficção, dispositivo crítico e lugar radical de encontro.
Entre a ironia e a melancolia, entre o pensamento conceptual e a vulnerabilidade da presença, a obra de Lígia Soares tem desenvolvido formas muito próprias de relação com o tempo contemporâneo. As suas criações convocam frequentemente mundos em desagregação, sistemas em colapso, comunidades frágeis ou imaginadas, mas fazem-no sem abdicar do humor, do artifício e da capacidade profundamente humana de inventar sentidos provisórios para aquilo que parece escapar à ordem.
Ao reunir diferentes momentos do seu percurso, este ciclo procura não apenas revisitar uma obra fundamental da criação contemporânea portuguesa, mas também acompanhar uma artista que tem feito do questionamento uma prática estética e política. Mais do que apresentar espetáculos, este foco convida o público a entrar num pensamento em movimento: um território onde o teatro é simultaneamente máquina de ficção, dispositivo crítico e lugar radical de encontro.
direção técnica do ciclo Pedro Guimarães
produção Romance - Associação Cultural